Boletim  046 : Filhos seguros

Transcrevo mais um artigo muito interessante da PC-World, um pouco extenso mas vale a pena sua leitura, principalmente para quem tem filhos internautas, pois aborda os "perigos" ao navegar pela Internet.

Você não deixaria um filho pequeno sozinho no meio de uma cidade, deixaria ? A Web é como uma cidade. E tem um lado negro. As crianças podem deparar-se com marketing malicioso, e-mails inoportunos, invasão de privacidade, fraudes e hackers na Internet. Podem até esbarrar em – ou, por curiosidade procurar – sites de pornografia e apostas.

As estatísticas do FBI mostram que em 1996, o órgão investigou 113 casos de exploração sexual e pornografia infantil on-line. No ano passado, foram mais de 1.500. Embora seja um aumento alucinante de 1.200 %, sua família não está indefesa. Nem as estatísticas são motivo de pânico. A Internet ainda é uma excelente ferramenta para seu filho fazer pesquisa escolar, ter contato com amigos e se divertir com jogos on-line.

Com o conhecimento de experiência de pais de adolescentes e com a ajuda de pesquisadores acadêmicos, especialistas em direito da criança, representantes da justiça, reunimos várias maneiras de manter as crianças a salvo na Net. Não existe casulo mágico onde você possa colocar seu filho para protegê-lo de coisas ruins. Exige empenho da sua parte.

1- COMEÇO INTELIGENTE

Antes de monitorar as atividades on-line de seus filhos ou impor regras para o acesso à Web, pense no que você precisa fazer e considere as conseqüências. Lembre-se destes mandamentos:

- Mantenha a confiança. Superproteger a criança pode dar a idéia de que você não confia nela. Certifique-se de que seu filho entenda suas intenções de vigiá-lo.

- Respeite a privacidade. Crianças têm direito à privacidade contanto que você saiba que elas estão seguras. Ao mesmo tempo que você deve ficar de olho em seus hábitos on-line, o excesso de autoridade pode ser interpretado como espionagem e gerar conflitos familiares. Pondere a supervisão e pense em como seus filhos podem reagir.

- Seja realista. Entenda a que as crianças estão expostas online e no mundo real. Determine o que elas podem ver na Web, pense na música que eles ouvem e nos filmes que vêem. Seja claro quanto às expectativas uns dos outros.

2- MANTENHA AS MAIS NOVAS A SALVO

Sem limitar a liberdade de expressão, fique a par da informação que é apresentada a seus filhos. Com essa idéia de supervisão baseada em bom senso, compilamos 10 dicas práticas do mundo real para famílias com pré-adolescentes que navegam na Web. Embora esse lote de dicas se destine a crianças de 7 a 11 anos, algumas se aplicam a crianças de todas as idades.

- Naveguem juntos. Essa prática faz da jornada on-line um acontecimento familiar, mantém as crianças longe de sites indesejáveis e permite que você as estimule a ir a sites compatíveis com os interesses e as faixas etárias delas.

- Monitore as atividades on-line de seus filhos. Deixe claro que você tem o direito de ver quais sites as crianças visitam, o que elas digitam e com quem conversam. Alguns pais acham mais difícil adotar uma estratégia de vigilância para adolescentes mais velhos e preocupados com a privacidade. Seja firme.

- Estabeleça regras. Crie e imponha políticas que seus filhos têm que seguir quando estão on-line. Dê instruções sobre os tipos de sites que eles podem visitar, quando podem navegar e por quanto tempo.

- Oriente seu filho a não fornecer informação pessoal. Comerciantes mal-intencionados se dirigem a crianças para extrair informação pessoal como nome, endereço, telefone e preferências de compra. Segundo uma pesquisa feita com mais de 1.000 pais e seus filhos entre 5 e 13 anos, 75% das crianças estão disposta a compartilharem informação pessoal on-line em troca de coisas gratuitas. Explique para seu filho que, na Internet, algumas pessoas não são quem dizem ser.

- Conheça os amigos de seus filhos. Mesmo que você restrinja o acesso à Web das crianças em casa, elas podem conectar de lugares onde você não conseguirá vigiá-las. Converse com os pais dos amigos de seus filhos e avalie a postura deles sobre navegação segura. Expresse sua preocupação em impor regras.

- Informe-se de seus direitos legais enquanto pai de uma criança internauta. Nos EUA, por exemplo, sites destinados a crianças abaixo de 13 anos têm que conter um aviso sobre os tipos de informação que coletam delas, de que forma essa informação é utilizada e se ela é compartilhada com outros. Os pais têm que ser avisados por e-mail, correspondência convencional, fax ou telefone e concordar com a coleta de informação antes do site capturar, usar ou compartilhar dados pessoais.

- Proteja senhas e crie nomes de usuário difíceis de decifrar. Diga aos seus filhos para nunca fornecer senhas, mesmo a alguém que afirme trabalhar para seu provedor de Internet. Sempre que você criar nomes de usuários ou apelidos, não use nada que possa revelar o nome verdadeiro das crianças, a idade ou o sexo. Ensine seus filhos a seguir essa prática se um dia tiverem suas próprias contas on-line.

- Cuidado ao publicar fotos de família em sites. Use um site de compartilhamento de fotos que ofereça senha ou outra proteção à segurança. Alguns sites permitem que você escolha os álbuns específicos que você quer permitir que os amigos e a família vejam.

- Use software de filtragem. Seria o último recurso, mas programas de filtragem como o Cyber Patrol e o NetNanny fornecem conforto e ajuda a pais nervosos. Eles filtram ou bloqueiam sites ou assuntos específicos e restringem atividades como chats e downloads de arquivo. Muitos pais não ficam à vontade com essa censura a priori – não é um substituto para uma conversa franca com as crianças –, mas talvez você pense diferente. Outro aspecto problemático dos programas de filtragem: nenhum deles é infalível e, às vezes, bloqueiam sites interessantes, como os de câncer do seio (simplesmente por causa da palavra "seio").

- Considere um provedor de Internet pré-filtrado. Se você está pensando em usar software de filtragem, também deve dar uma olhada em provedores de Internet que bloqueiam sites, antes de chegarem em sua casa. Mas os serviços não são para qualquer um: eles são ainda mais restritos do que o software de filtragem e muitos não incluem uma opção de cancelamento que dá aos pais acesso não filtrado. Ainda assim, podem ser mais simples do que a filtragem via software em domicílios com várias máquinas.

3- PROTEJA OS ADOLESCENTES

São os adolescentes que correm mais risco na Internet, em parte porque os pais afrouxaram os cordões que amarram suas atividades. Além disso, as crianças mais velhas usam a Web de maneira diferente. Elas têm interesses individuais, tendem a navegar quando estão entediadas e gostam de conversar com outras pessoas. E são curiosas em relação a coisas do sexo, que são fáceis de encontrar on-line. As dicas a seguir podem ajudá-lo a manter em segurança as crianças a partir de 12 anos.

- Fale com franqueza. Abra as linhas de comunicação entre você e seus filhos. Não se limite a estabelecer regras para uso da Internet e deixar por isso mesmo. É importante ser franco com as crianças sobre assédio sexual e pornografia. Se eles clicarem sem querer em um link para um site que parece inocente, que na verdade não é, certifique-se de que vão explicar-lhe o que aconteceu e entender o que devem fazer no futuro. Encoraje seu filho a confiar em você ao ver texto ou imagens impróprios.

- Conheça os hábitos on-line de seus filhos. A maioria dos pais afrouxa a vigilância sobre as atividades das crianças quando elas crescem, mas você não deve ignorar completamente o que andam fazendo. Descubra de quais atividades na Internet seus filhos participam, incluindo downloads de música, chats, newsgroups e círculos de mensagens instantâneas. Mantenha o endereço de e-mail de seu filho o mais privado possível e defina preferências de privacidade no software que seu filho usa.

- Coloque o computador à vista. Alguns pais optam por colocar o PC da família em uma área comum da casa. e acham importante deixá-lo por perto, para dar uma olhada de vez em quando. Eles acham importante que os filhos saibam que estão sendo monitorados.

- Seja rigoroso com chat. Quando o Crimes Against Children Research Center pesquisou 1.500 crianças e pais sobre a segurança on-line, o chat provou ser a atividade mais perigosa na Internet. Na verdade, 65% dos assédios sexuais on-line aconteceram em salas de chat. As mensagens instantâneas ocuparam um distante segundo lugar com 24%; sites detêm 4%; sites de apostas online, quadros de mensagens e newsgroups, 3% no total; e-mail, 2%; e fontes desconhecidas, 2%. O chat é perigoso porque a maioria das salas não é controlada e pode ser freqüentada por pessoas de caráter duvidoso. Se seus filhos gostam de chat, monitore as sessões e encaminhe-os para salas controladas. Alguns alertas também se aplicam à mensagem instantânea.

- Combata o spam. Normalmente, as crianças se deparam com material sexual através de e-mail distribuído por sites adultos. Mesmo que essas mensagens não incluam fotos explícitas, quase sempre trazem links para os sites; basta um clique e seu filho verá pornografia hard-core. Portanto, instale um utilitário "farejador" de spam como o Spam Killer, que bloqueia e-mail indesejável. Ou pergunte ao seu provedor de Internet se ele oferece filtro de spam.

- Imponha limite de tempo. Pais querem garantir que seus filhos não fiquem on-line até as quatro da manhã em dia de aula. A imposição de um limite pode reduzir as visitas a salas de chat, ao mesmo tempo em que permite o acesso para trabalho escolar. Se limites informais não funcionarem, cogite um utilitário como o Lockdown, Cyber Patrol ou NetNanny, que proíbe o acesso à Web em determinados horários.

- Vença a fraude on-line. Os sites de leilão (como o eBay) são o caminho mais comum para a fraude. Alerte as crianças para os perigos. Os pais devem ajudar as crianças com sua habilidade de análise, não importa a mídia; mostre a diferença entre anúncios e outros conteúdos e ensine-as a saber se algo é digno de crédito ou não. Restrinja as compras on-line sem permissão, mesmo que os adolescentes tenham seus próprios cartões de crédito. E verifique se há cobranças incomuns nas contas.

- Denuncie pessoas suspeitas. Se seu filho for assediado sexualmente online, informe as autoridades locais. Reporte incidentes ao seu provedor de Internet, que vai encaminhar seu relato a autoridades legais e, quando apropriado, ao provedor de Internet do remetente.

A cidade da Net tem seu lado negro, sim, mas nem todas as ruas são arriscadas. A Web é um ótimo lugar para uma criança aprender, encontrar amigos e se divertir. Você só tem que educar seu filho para ficar longe das regiões perigosas da cidade. A maioria das crianças tem muito bom senso; na maior parte dos casos, elas sabem sair de situações prejudiciais. Isso pode ser verdade – mas só se você a ensinar.

Fonte: PC-WORLD (Ago/2001)


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