Boletim 058 : Banda Larga na Internet
Conheça algumas características das opções mais utilizadas para obter alta velocidade na Internet. (Resumo extraído da PC-WORLD)
Os chamados acessos de banda larga equivalem a rodovias classe A que diferem da estrada de acesso tradicional (via linha discada, com velocidades médias de 28 kbps a 56 kbps), sobretudo pelo desempenho que oferecem. A contrapartida fica por conta dos pedágios, mais altos à medida que ganhamos em conforto e serviços.
Atualmente, pouco mais de 20% dos usuários brasileiros de Internet utilizam acesso de banda larga. O mercado de acesso de alta velocidade trabalha para conseguir espaço entre os usuários que ainda se valem da linha telefônica tradicional (dial-up) para chegar à Web, atualmente seu principal concorrente no País. A estratégia dos serviços de banda larga é apontar os benefícios que esse tipo de transmissões pode trazer para os negócios, pesquisas e lazer, com anúncios na TV mostrando experiências impressionantes quando se viaja pela Internet a altas velocidades.
A questão do custo é um dos principais obstáculos para a migração do acesso convencional para a banda larga. Os usuários mais exigentes, os chamados heavy users, já iniciaram o processo de migração, porque querem mais desempenho. Mas um usuário residencial, que utiliza a Internet para enviar e receber e-mails, consultar o serviço bancário e navegar de forma mais esporádica, ainda não encontra vantagens para pagar mais do que a taxa cobrada pelo acesso discado convencional.
Podemos aplicar a seguinte relação custo/benefício entre o número de horas navegadas e o tipo de acesso ideal: para um usuário corporativo, que utiliza a Internet mais de 50 horas por mês, o acesso de banda larga já é justificado; no caso do usuário doméstico, se navegar pela Internet em média 30 horas por mês, terá na banda larga o acesso mais indicado.
Outros usuários em potencial do link de alta velocidade são empresas para as quais desempenho é essencial, que recebem grande quantidade de e-mails e precisam de conexões permanentes.
O campeão de preferência entre os tipos de acesso de banda larga para os usuários domésticos, profissionais liberais e micro e pequenas empresas é a ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line), tecnologia que utiliza centrais telefônicas digitais para tráfego de dados. O funcionamento do acesso ADSL começa no computador do usuário, onde um modem especial se conecta à linha de telefone analógica convencional.
Separando sinais de dados e voz, os serviços baseados na tecnologia ADSL também permitem realizar chamadas enquanto se está navegando na Internet. Essa conexão de alta velocidade oferece acesso direto, sem necessidade de discagem, bastando ao assinante ligar o computador para estar conectado 24 horas por dia, sem cobrança de pulso telefônico por tempo de conexão.
Os acessos ADSL são oferecidos pelas operadoras de telefonia, geralmente em duas modalidades: uma mais básica, com velocidade de até 256 kbps, e outra mais avançada, que pode atingir taxas de até 512 kbps ou 2 Mbps, conforme a operadora.
Mas há dois pontos importantes que devem ser considerados na ADSL. O primeiro deles é que, por uma questão de regulamentação da Anatel, as operadoras de telefonia não podem trabalhar como provedoras de acesso. A conseqüência para o usuário final é que, além de pagar a taxa mensal pela assinatura do serviço ADSL, ainda terá de pagar um provedor para poder navegar na Internet, ter seu endereço de correio eletrônico, entre outros serviços.
O outro ponto que merece atenção no momento da contratação de um acesso via ADSL é que o usuário precisará de um modem especial, fornecido pelas operadoras e, na grande maioria dos casos, à disposição apenas na forma de aluguel. Ou seja, para ser assinante de um serviço de acesso de banda larga via ADSL, o usuário pagará a taxa de habilitação (em média, R$ 220), mensalidade do serviço e aluguel do modem (os dois valores somados podem variar bastante, conforme a velocidade do acesso e o local, mas vão de R$ 59 a R$ 491, para os casos de velocidade de 2 Mbps).
As operadoras alegam que alugar o modem é mais viável para o usuário, porque se trata de um equipamento caro e que fica obsoleto em médio prazo. No caso do aluguel, se o modem apresentar problemas ou precisar ser trocado, o assinante não terá o serviço interrompido e também não precisará arcar com nenhuma despesa adicional.
Uma desvantagem da ADSL está relacionada à distância física da casa ou do escritório até a central telefônica. Essa extensão pode interferir na transmissão dos dados – nas velocidades menores, mais tradicionais, como 256 kbps, a central pode estar até a 5 km do local de instalação; para velocidades maiores, essa distância está limitada a 2 km. Em São Paulo, o problema não é tão percebido, porque há centrais telefônicas espalhadas por toda a cidade. Mas, em regiões do interior do Estado, há apenas uma ou duas centrais telefônicas para abastecer a cidade inteira. Desse modo, se a casa ou a empresa estiver em um ponto muito distante da central, o problema será mais sentido. Quanto mais distante da central, maior a dificuldade que o usuário terá para manter a taxa de transferência.
A Telefonica, que trabalha no estado de São Paulo, oferece o Speedy (http://www.speedy.com.br/), como opção de acesso ADSL. O serviço está disponível nas modalidades Home, para assinantes residenciais, e Business, para empresas, nas velocidades de 256 kbps (versão 2.0), 512 kbps (versão 4.0) e 2 Mbps (versão 6.0).
O acesso via cable modem, ou cabo como costuma ser chamado, é a segunda tecnologia mais usada no Brasil. Em relação aos modems convencionais, os acessos a cabo funcionam de um modo diferente. Um cable modem tem duas conexões: uma para a saída do cabo que irá para fora da casa do assinante e a outra para um computador.
O cable modem necessita de uma ramificação do sinal que distingue os sinais que devem ir para a televisão dos que vão para o computador. Por isso, após a solicitação do serviço, um técnico visita o local para acoplar um aparelho chamado splitter, caso encontre a linha em condições adequadas de qualidade. É esse dispositivo que possibilita o uso do acesso à Internet sem interferir na programação da TV.
Os serviços de acesso via cable modem têm um problema de implantação ainda grande, porque a malha das operadoras de TV a cabo não possui muita penetração e os investimentos para ampliá-la não está acontecendo de forma muito intensa. O acesso por cable modem só compensa para quem já é usuário de TV a cabo, porque daí os investimentos para contratação do serviço não são tão altos.
Além disso, no caso do cable modem, apesar de a velocidade de transmissão declarada ser semelhante à do ADSL, o meio físico é compartilhado, sem uma margem de velocidade garantida. Então, se aquele cabo que chega à casa do assinante passar por inúmeras outras residências também, pode haver degradação na velocidade de acesso. Na ADSL, esse compartilhamento existe também, mas está limitado a 10% – atualmente, o assinante do ADSL não recebe menos do 10% da taxa de transferência contratada, que é a chamada velocidade garantida. No cabo, como ainda existe muita ociosidade da rede, a degradação pode não acontecer com muita freqüência por enquanto, mas conforme a rede se congestionar, fatalmente haverá problemas de desempenho.
As velocidades atingidas pelo acesso via cable modem são semelhantes à média das oferecidas pelos serviços ADSL. Assim como na ADSL, o cable modem também exige o pagamento mensal da assinatura do serviço, aluguel ou aquisição do modem e a contratação de um provedor, chegando a valores parecidos com os praticados pelas operadoras de telefonia e a ADSL.
As grandes fornecedoras do serviço são a TVA (http://www.tva.com.br/) e a Globo Cabo. A primeira oferece o TVA Acesso Rápido, em São Paulo e no Rio de Janeiro, com opções que vão de 64/64 kbps (download/upload) até 512/512 kbps. Há ainda opções de acesso com taxas diferenciadas para download e upload. A operadora de TV a cabo também criou um provedor de Internet específico para atender seus assinantes, o Ajato (http://www.ajato.com.br/).
A Globo Cabo desenvolveu o serviço Vírtua (http://www.virtua.com.br/) , sendo oferecido com as velocidades de 128 kbps a 512 kbps.
Uma vez instalado o Vírtua, ao ligar o computador, o assinante terá à disposição um ícone com uma tela de entrada (login) e uma tela de mosaico, onde escolherá o seu provedor de acesso à Internet. Desse ponto, o assinante terá acesso a uma gama de serviços disponíveis na rede local da Globo Cabo, incluindo um site especial chamado A Sua NET. A utilização do serviço Vírtua não interfere nos serviços de TV por assinatura. Os assinantes da NET poderão assistir aos canais distribuídos pela operadora ao mesmo tempo em que o computador utiliza o serviço de acesso à Internet.
O acesso à Internet via satélite usa uma antena parabólica, um transmissor e um receptor. Em uma conexão desse tipo, os dados são enviados com uma velocidade menor do que são recebidos, ou seja, a conexão também é assimétrica.
No acesso por satélite, a principal vantagem é a penetração. É possível atingir qualquer lugar, como uma fazenda no interior de Goiás, por exemplo. Mas o custo de implantação ainda é muito alto – são mais de R$ 1 mil para a antena parabólica e mensalidades que vão de R$ 250 a R$ 500 –, além de não haver muitas ofertas de serviços disponíveis no mercado brasileiro.
Então, apesar de ser uma boa opção em termos de tecnologia, o acesso por satélite, não deve alcançar o número de usuários de ADSL ou cable modem tão cedo. Em casos nos quais se têm problemas com a linha telefônica ou não se assina TV a cabo, o satélite pode ser a solução.
Em relação à conexão por radiofreqüência, o que se discute é o tipo de canal usado: o rádio dedicado, que está substituindo uma rede de frame relay, uma rede IP ou outro tipo de rede, que é uma banda larga sem compartilhamento e que, por isso, acaba tendo um custo de mensalidade mais elevado; ou a outra forma, que usa um acesso compartilhado – por exemplo, uma antena para transmissão é fixada em cima de um prédio e o local é cabeado, de forma que a estrutura seja distribuída para todo o edifício.
A Anatel regulamentou as faixas de radiofreqüência de modo que a comunicação ponto a ponto dedicado trabalhe no intervalo de 7,5 GHz a 38 GHz. A instalação de qualquer estrutura dentro desse espectro precisa ser notificada e registrada junto à Anatel. Há uma faixa de freqüência, que vai de 0,9 GHz a 2,4 GHz, utilizada também por algumas empresas que oferecem serviços de acesso à Internet por rádio, que não é regulamentada pela Anatel e pode sofrer interferências. Por isso, o usuário deve ficar atento a esse detalhe no momento de contratação do serviço.
O acesso à Internet via rádio é uma modalidade destinada ao mercado corporativo, sobretudo a empresas que tenham necessidade de um acesso dedicado com qualidade.O acesso de banda larga por celular ainda não atinge as taxas oferecidas pelas demais tecnologias, mas é uma alternativa bastante útil para executivos em trânsito, em eventos ou em viagens, que podem conectar seus notebooks ao celular e realizar suas operações normalmente. Os clientes da Telesp Celular, por exemplo, têm a possibilidade de se conectar a uma velocidade de até 144 kbps. Mas existe um grande obstáculo que é o custo – o pulso do celular é muito alto e pagar essa taxa para acessar a Internet ainda é algo bastante absurdo. Porém, as operadoras de telefonia móvel estão trabalhando para melhorar esse cenário. De qualquer forma o custo não chegará ao do ADSL ou do cable modem tão cedo.