Boletim  072 : Estilhaçamento de CD´s

Alguém já deve ter ouvido essa história: o PC está tranqüilamente rodando um disco de CD-ROM e depois de algum tempo, sem mais nem menos, o usuário ouve um estouro na leitora que, quando não danifica o equipamento, contamina o seu interior com milhares de fragmentos de plástico do CD. Apesar do tom quase paranormal desses relatos, informações recentes levantadas pelo PC World Test Center com várias fontes da indústria revelam que, sob certas circunstâncias, um CD-ROM pode realmente explodir dentro da leitora. A boa notícia é que tomando-se alguns cuidados básicos esse problema pode ser minimizado ao máximo.

No geral, pode-se afirmar que o problema de estilhaçamento de CDs resulta normalmente da combinação do uso de uma mídia maltratada, mal conservada e até mal gravada nas atuais leitoras de CD-ROM acima de 48x, equipamentos em que a mídia chega a girar a 10 mil rotações por minuto (rpm), o equivalente à velocidade de 240 Km/h.

Sob tais condições, qualquer mídia que não esteja bem balanceada ou cuja estrutura física não esteja em perfeitas condições sofre tamanhas solicitações de carga que podem literalmente pulverizar o CD no pico do seu giro. Isso é o que explica o estouro ou a explosão da mídia.

A orientação é que o usuário seja extremamente cuidadoso com suas mídias ópticas, tanto no trato quanto na gravação. O ideal é que as mídias sejam guardadas na posição vertical, em local fresco e sem umidade, de modo a evitar problemas de empenamento ou deformação pela exposição ao calor (como aqueles esquecidos dentro do carro num dia de sol), o que pode gerar vibrações mais acentuadas nas leitoras mais velozes. Isso, vale tanto para as mídias pré-gravadas quanto para as produzidas em casa.

Uma questão interessante é que o estouro das mídias também pode ser provocado pelo uso de CDs graváveis (CD-Rs) de má qualidade ou devido a gravação de maneira incorreta. Os usuários deveriam levar mais a sério as informações de gravação que vêm impressas nas mídias vendidas no mercado. Usuários de PCs equipados com gravadores de última geração costumam gravar seus CD-Rs na maior velocidade do gravador, ignorando as especificações da mídia. Isso ocorre normalmente pelo processo de tentativa e erro, ou seja, mesmo que a mídia especifique uma certa velocidade, o usuário tentará pelo menos uma vez gravar numa velocidade maior. Caso a operação seja bem sucedida e a mídia passe pelo teste de verificação, ele acha que ganhou o dia e tenderá a repetir a façanha até que algo dê errado, ocasionalmente jogando a culpa na mídia e tentando novamente.

A especificação da mídia baseia-se nas características físicas do material do qual é feito o substrato de gravação, de modo a gravar as trilhas de maneira confiável na velocidade informada pelo fabricante (ou abaixo dela, se for o caso). Essas mídias podem até ser gravadas em velocidades mais elevadas, mas as marcações das trilhas podem não ficar bem claras. Assim, as leitoras até conseguem lê-las aumentando a potência do seu feixe do laser (o que não é percebido à primeira vista pelo usuário), o que explica como essas mídias passam pelo teste de verificação do gravador.

Mas com o passar do tempo, o uso de um feixe mais potente pode fazer com que a mídia se aqueça mais que o normal, alterando as características físicas da sua base de plástico, o que leva a deformações ou torna o material mais frágil e, consequentemente, mais sujeito a estilhaçar no interior da leitora.

Uma indicação de que uma mídia está condenada é a existência de trincas, principalmente ao redor do furo central do CD, que podem evoluir para danos mais sérios. Para identificar os CDs, sugere-se apenas o uso de canetas de ponta porosa – do tipo usado em transparências para retroprojetor – e evitar o uso de etiquetas, mesmo aquelas que cobrem toda a superfície do CD, já que se a aplicação estiver mal centralizada também pode desbalancear a mídia causando vibrações quando utilizada em leitoras de alta velocidade.

Observe que todos esses cuidados são válidos tanto para mídias de qualidade quanto as de baixo custo, algumas vendidas sem nenhum tipo de marcação ou indicação de velocidade de gravação. Os contraventores de software normalmente utilizam mídias de baixo custo e gravam na maior velocidade possível (para minimizar custos e maximizar a produtividade de seu negócio), o que explicaria algumas histórias sobre CDs piratas que estragaram o computador ou a leitora de CDs dos videogames.

Resumindo, pode-se considerar que o problema de estilhaçamento de CDs é uma possibilidade real, apesar de ainda relativamente rara. De qualquer modo, como vale mais a pena prevenir do que remediar, o aconselhável é adotar algumas medidas de segurança.

Recomenda-se ter o máximo de cuidado com as mídias gravadas e armazenar as informações em mídias de boa qualidade, dentro das especificações de gravação da mídia e não do gravador. Sempre verifique o estado dos CDs a procura de trincas, principalmente nas bordas externas e internas. Caso encontre alguma, descarte o disco imediatamente e faça uma nova cópia a partir do CD de backup.


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