Pacote de Aplicativos OpenOffice / BrOffice

O OpenOffice/BrOffice é um pacote de aplicativos gratuito para utilização pessoal ou comercial, tendo grande compatibilidade com os arquivos criados pelo MS-Office 97/2000/XP. Trata-se de um projeto de código aberto e multiplataforma, composto por processador de texto, planilha eletrônica, gerador de apresentações, banco de dados e um programa de desenhos.


HISTÓRICO

Em 1986 surgiu uma alternativa para pacotes proprietários do tipo MS-Office. Esta alternativa era bastante completa e com um grau de compatibilidade bem aceitável com os formatos fechados da Microsoft, recebendo o nome de StarOffice.

O StarOffice foi desenvolvido por uma empresa alemã, adquirida em 1999 pela empresa SUN. Recentemente a SUN liberou o código fonte a uma organização sem fins lucrativos (OpenOffice.org) que reformulou o produto, agora como software de código aberto, com o auxílio de um grande contingente de voluntários mundo afora. A versão aberta recebeu o nome OpenOffice.

A primeira versão do OpenOffice não contemplava a interface em português brasileiro. Um grupo de programadores, contudo, traduziu a interface (processo denominado de "localização") e a primeira versão no idioma nacional foi lançada em 2002.

Em janeiro de 2006, foi anunciado oficialmente o lançamento da ONG BrOffice.org que organizará as atividades da comunidade OpenOffice.org no Brasil. Apesar da mudança de nome, os coordenadores lembram que o BrOffice.org não é uma separação do projeto OpenOffice, mas a garantia de sua continuação no Brasil com todos os instrumentos jurídicos de proteção à marca BrOffice.org.

Junto com as mudanças organizacionais, diversas mudanças estruturais foram feitas no projeto. A reorganização do servidor permitirá aos colaboradores melhorar os fluxos de trabalho no desenvolvimento de conteúdo exclusivo voltado para o público brasileiro.


CARACTERÍSTICAS

Os aplicativos do OpenOffice/BrOffice utilizam um formato aberto próprio que é capaz de abrir e salvar documentos no formato do MS-Office. Assim, documentos do WORD podem ser abertos e regravados pelo WRITER; planilhas do EXCEL pelo CALC e apresentações do POWERPOINT pelo IMPRESS. Naturalmente, por utilizarem plataformas/linguagens de programação diferentes, não existe 100% de compatibilidade, principalmente se forem utilizados alguns recursos mais avançados ou macros.

A interface dos dois pacotes é quase idêntica, o que facilita uma possível migração de um para outro.


USUÁRIOS

Para comprovar a eficiência do pacote OpenOffice/BrOffice, podemos citar algumas iniciativas de grande peso no mercado empresarial, educacional e governamental :

1- Uma experiência concreta foi aquela adotada pelo Metrô de São Paulo, desde 2001 com a utilização do StarOffice até a migração atual para o OpenOffice, em seu enorme parque de 2400 microcomputadores. Desde que optou pelo código aberto, o Metrô tem economizado cerca de 3 milhões de reais por ano, incluindo as licenças de aplicativos de escritório, bancos de dados e correio.

Numa apresentação realizada pelo Metrô sobre a utilização de software livre, o slide de conclusão atestava : “Software livre, além de ser um novo estado de espírito, está alinhado com a sobrevivência das empresas, sejam elas públicas ou privadas. Deixou de ser mito : agora é fato! É a forma de minimizar custos, otimizar soluções e garantir a qualidade”.

2- Em abril de 2003 foi lançado oficialmente o projeto OpenOffice.org na Unicamp. A Unicamp possui atualmente cerca de 4300 computadores de uso pessoal para atividades administrativas. Manter as licenças de software proprietário atualizadas para todas essas máquinas, teria um custo bastante elevado.

3- O órgão que processa todo ano o nosso Imposto de Renda não tem o que reclamar da tecnologia que começou a adotar estrategicamente a partir de 2004. "O SERPRO ficou dez anos sem investimento, estávamos sucateados, defasados tecnologicamente. Com o software livre, conseguimos acompanhar a evolução da tecnologia e aproveitar melhor nosso orçamento", afirma o coordenador de migração de software livre. Em dois anos de substituição de programas proprietários para software livre, o Serpro deixou de gastar com 10 milhões de licenças. O dinheiro que iria para elas foi redirecionado para máquinas, treinamento, consultoria e suporte técnico.

A estratégia do projeto de software livre no Serpro foi montada no final de 2003. "Estabelecemos áreas prioritárias e, dentre elas. as mais fáceis de iniciar a mudança. Por isso começamos pelo administrativo". O primeiro passo foi eleger o OpenOffice.org como substituto do Microsoft Office nas máquinas com Windows. Depois. os formatos dos arquivos foram normatizados e só então houve a mudança de sistema operacional.

A primeira etapa, completada no final de 2004, aproveitou a atualização do parque de estações de trabalho para substituir várias versões do Windows pelo Linux em 2992 PCs, todos com Fedora Core 2, navegador Mozilla e OpenOffice.org. No princípio, houve resistência dos usuários, mas as campanhas internas de conscientização e o ganho de novas funcionalidades foram quebrando o gelo devagar.

A segunda etapa, em 2005, passou a atacar os servidores, especialmente os de infra-estrutura de rede, que saíram de Novell para Linux. No momento, o Serpro prepara os legados para a migração, especialmente os bancos de dados Access isolados.

4- O Banco do Brasil pretende substituir completamente o uso do pacote de programas Office, da Microsoft, por softwares livres até o final deste ano (2006). O banco planeja economizar R$ 13 milhões de reais com a migração para o conjunto de programas para escritório OpenOffice, da Sun Microsystems, que não exige pagamento de licença de uso.

Atualmente, o Banco do Brasil tem 20% de sua rede migrada e a suíte OpenOffice já é executada em 23 mil computadores do banco. Além disso, a instituição tem como meta instalar softwares livres nos servidores de suas 5,5 mil dependências no país até metade do ano.

5- Por que o setor público deve pagar por softwares proprietários quando pode desenvolver programas, na maioria dos casos gratuitamente, a partir de programas livres?

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) fez essa pergunta. Ao respondê-la, descobriu que, substituindo apenas um dos aplicativos que usa em suas estações de trabalho, está economizando R$ 8,092 milhões este ano e deixará de gastar R$ 21,4 milhões em 2006. Não é pouca coisa. Equivale a quase 30% do orçamento da estatal com programas de computador.

A estatal decidiu tocar o processo de maneira cuidadosa e planejada. Não poderia ser diferente. No setor público, o software livre engatinha. Das quatro áreas de aplicação de softwares, estações de trabalho ("desktops"), servidores, suítes de escritório e sistemas/aplicativos, a ECT decidiu experimentar a migração primeiro nos aplicativos de escritório. Durante três meses, em 2004, quatro das 26 diretorias regionais da empresa usaram de forma experimental o OpenOffice.org.br, o equivalente do MS Office. Feito o teste, surgiu a oportunidade de adoção do software livre em 14 mil estações de trabalho adquiridas em janeiro deste ano pela ECT - hoje, a estatal possui cerca de 45 mil "desktops".

Diante disso e do sucesso no uso do OpenOffice, a estatal resolveu acelerar a migração para a plataforma livre. A meta é ter o novo programa instalado em 80% dos computadores até outubro. Até lá, o plano é desinstalar o software proprietário em 40% das máquinas. Os R$ 21,4 milhões de economia que Medeiros estima para 2006 incluem a substituição das licenças alugadas por softwares livres, o custo que a empresa teria com licenças para as 14 mil novas estações e a atualização das máquinas que estão rodando com softwares proprietários obsoletos.


CONCLUSÃO

Mesmo para pequenas empresas que possuem pouquíssimos computadores, devido ao orçamento bastante apertado, o pacote OpenOffice/BrOffice pode ser uma solução plenamente válida para contornar o custo de implantação de pacotes proprietários em cada estação de trabalho.

Vamos além, até para uso estritamente pessoal ou doméstico, pode representar uma utilização interessante, uma vez que não há necessidade de ativação do produto e nem sequer preocupar-se com cópias piratas mal gravadas ou com senhas de expiração.

Para outras informações relativas ao produto, como fazer uma instalação correta, reciclagem no aprendizado ou mesmo obter um treinamento completo sobre os aplicativos do BrOffice (com apostilas de apoio), não deixe de consultar a MicroAcesso Informática.

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